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TOLC 2026 — o exame para universidades italianas

Exames

TOLC 2026: tipos de exame (TOLC-I, TOLC-E, TOLC-F, TOLC-S, English TOLC), inscrição pela CISIA, custo de 30 EUR, pontuação 1-50. Requisitos de Polimi, Sapienza e Bolonha + plano B.

Exame de computador TOLC da CISIA para universidades italianas — Politecnico di Milano, Sapienza, Bologna

Lead image: Wikimedia Commons

Imagine que é uma manhã de neblina de outubro de 2026. Você está sentado ao computador, no seu quarto em São Paulo ou no Rio, com a última tela do exame TOLC-I à frente; um fiscal da CISIA observa você pela câmera, de Pisa, e do seu resultado numa escala de 0 a 50 depende se daqui a um ano você começa a graduação em engenharia no Politecnico di Milano, na Sapienza de Roma, ou se terá de procurar uma alternativa. Não é o SAT americano, nem o ENEM brasileiro — é um sistema especificamente italiano em que o consórcio CISIA, desde 2012, centraliza os exames de admissão da maioria das universidades públicas e faz isso exclusivamente por computador, com resultado imediato e penalidade por chute.

O estudante internacional costuma descobrir o TOLC tarde demais — quando as primeiras sessões já aconteceram e as vagas das seguintes se esgotam em poucas horas após a abertura das inscrições. Neste guia, vou levar você pelos cinco tipos de TOLC (TOLC-I, TOLC-E, TOLC-F, TOLC-S, English TOLC), mostrar exatamente como se inscrever pelo cisiaonline.it a partir do Brasil, qual pontuação exigem em concreto o Politecnico di Milano, a Sapienza, a Bolonha e a Sant’Anna di Pisa, e por que a Bocconi é a única grande universidade italiana que NÃO usa o TOLC (e o que usa no lugar). No final, você encontra um plano B realista para o caso de algo dar errado.

O que é o TOLC e quais universidades italianas o exigem em 2026?

TOLC é a sigla de Test On-Line CISIA — um exame de admissão por computador conduzido pelo Consorzio Interuniversitario Sistemi Integrati per l’Accesso (CISIA), consórcio que reúne mais de 50 universidades públicas italianas. O exame nasceu para uniformizar o ingresso em cursos com vagas limitadas (numero programmato) — em vez de cada universidade organizar o seu próprio teste, o candidato faz o TOLC uma única vez e pode se candidatar em paralelo a várias universidades com a mesma nota. É uma lógica completamente diferente da brasileira, onde tudo se apoia no ENEM e nos vestibulares, e diferente também da avaliação holística americana, com SAT, redações e cartas de recomendação.

TL;DR — o que você precisa saber de imediato:

  • O TOLC é exigido na maioria dos cursos das universidades públicas de engenharia, economia, farmácia e ciências naturais
  • Formato: por computador, de 50 a 110 minutos conforme o tipo, em 99% dos casos feito na modalidade TOLC@CASA (em casa, sob supervisão por câmera) ou presencialmente em cidades selecionadas da Itália
  • Custo: 30 EUR (cerca de R$ 190, ao câmbio de 6,30) por tentativa
  • Pode ser feito uma vez por mês, conta o melhor resultado
  • Sessões 2026: a primeira em fevereiro, a última em outubro — as inscrições abrem 30-45 dias antes
  • A Bocconi NÃO usa o TOLC — tem o seu próprio BOT (Bocconi Online Test)

O consórcio CISIA informa em seu site cisiaonline.it que, em 2024, foram realizadas mais de 200.000 tentativas de TOLC por ano — uma escala em que o candidato brasileiro é apenas um entre muitos estrangeiros, mas a CISIA, desde 2020, prevê explicitamente a opção de fazer o exame de fora da Itália. Um passaporte brasileiro, uma conta no portal e um computador com câmera — é tudo o que basta para se inscrever em uma sessão.

O mito mais comum que ouço de candidatos: “se eu fui bem na matemática do ensino médio, faço o TOLC sem problema”. Em parte verdade, em parte armadilha. Uma boa base de matemática do ensino médio cobre talvez 60-70% do conteúdo do TOLC-I — o resto é lógica com elementos de teste de QI, física num nível que muitas vezes ultrapassa o do ensino médio comum, e compreensão de texto científico em italiano (a menos que você faça o English TOLC). Um estudante com bom desempenho em exatas, vindo de um colégio forte, costuma tirar 30-40 no TOLC sem preparação intensiva. Mas 30-40 é só a base — os melhores cursos do Polimi (Computer Science Engineering, Aerospace) exigem 40+ no ranking por posição.

Quais são os tipos de TOLC e qual escolher para o seu curso?

A CISIA conduz nove tipos de TOLC, mas, para os candidatos internacionais, importam sobretudo cinco — os demais (TOLC-AV, TOLC-PSI, TOLC-LP, TOLC-SU) são voltados de forma restrita a cursos especificamente italianos. A escolha não é livre: cada universidade define com precisão qual TOLC espera em cada curso.

TOLC-I (Ingegneria) — cursos de engenharia. É o TOLC mais popular entre os candidatos estrangeiros, exigido em todos os cursos de engenharia do Polimi, do Politecnico di Torino, da Sapienza, de Bolonha, de Pádua e de Pisa. Formato: 50 questões, 110 minutos, divididos em quatro seções:

  • Matematica (20 questões, 50 min) — álgebra, geometria analítica, funções, limites, fundamentos do cálculo diferencial
  • Logica (10 questões, 20 min) — códigos, sequências, silogismos, parecido com o critical reasoning do GMAT
  • Comprensione verbale (10 questões, 20 min) — leitura de texto científico em italiano
  • Scienze fisiche e chimiche (10 questões, 20 min) — física e química em nível de ensino médio

TOLC-E (Economia) — cursos de economia e negócios. Exigido na Sapienza (Economics & Management), em Bolonha, em Pádua e na LUISS. Importante: a Bocconi NÃO usa o TOLC-E — a Bocconi tem o seu BOT à parte. Formato do TOLC-E: 36 questões, 90 minutos, seções de matemática (13), lógica (13) e compreensão de texto (10).

TOLC-F (Farmacia) — cursos de farmácia e biotecnologia. 50 questões, 105 minutos: biologia (15), química (15), matemática (7), física (7) e compreensão de texto (6). Exigido em farmácia e CTF (Chimica e Tecnologia Farmaceutiche) em praticamente todas as universidades públicas.

TOLC-S (Scienze) — ciências naturais. Matemática aplicada, física teórica, química, biologia molecular, geologia. 50 questões, 110 minutos. Exigido na Sapienza e em Bolonha para os cursos das ciências naturais.

English TOLC (TOLC-E na versão em inglês e TOLC-I na versão em inglês). É a opção para os programas em inglês — Computer Science Engineering em inglês no Polimi, Bachelor in Economics & Business em inglês em Bolonha, Bachelor in Engineering Sciences na Sapienza. Não há a seção “Comprensione verbale” em italiano — ela é substituída pelo equivalente em inglês. Para o candidato que não sabe italiano, essa costuma ser a única opção realista para o primeiro ano.

Mapa TOLC → curso → universidade (2026)

Tipo de TOLC Curso Universidades que exigem Tempo / Questões
TOLC-I Engenharia (todas) Polimi, PoliTo, Sapienza, Bolonha, Pádua, Pisa 110 min / 50 questões
TOLC-E Economia, Negócios (NÃO Bocconi) Sapienza, Bolonha, Pádua, LUISS 90 min / 36 questões
TOLC-F Farmácia, CTF, Biotec Maioria das públicas 105 min / 50 questões
TOLC-S Física, química, biologia, geologia Sapienza, Bolonha, Pádua 110 min / 50 questões
English TOLC Programas em inglês Polimi (CS Eng), Bolonha, Sapienza 90-110 min / 36-50 questões

Conselho prático: se você está em dúvida entre cursos, faça o TOLC-I primeiro — ele cobre o maior número de cursos, e seu resultado costuma ser aceito como nota substituta para cursos afins. A Sapienza aceita o TOLC-I em Computer Science (que formalmente exige o TOLC-S), e o Polimi aceita o TOLC-I em Architecture (um teste de arquitetura separado é aplicado em complemento).

Qual é o formato do TOLC-I e o que esperar exatamente?

O TOLC-I é o tipo mais feito pelos candidatos estrangeiros, por isso vou dedicar a ele atenção especial. O exame dura 110 minutos e é composto por 50 questões divididas em quatro seções com tempo rigidamente delimitado — você não pode avançar para a seção seguinte antes da hora nem voltar à anterior.

Seção 1 — Matematica (50 minutos, 20 questões). É a maior seção e decide a maioria dos pontos. O conteúdo sobrepõe-se em ~70% à matemática do ensino médio, mas com acréscimos: trigonometria em toda a sua extensão (incluindo identidades trigonométricas, que nem sempre são tão trabalhadas no ensino médio), combinatória e probabilidade num nível superior ao do currículo comum, e fundamentos do cálculo diferencial (limites, derivadas) — tratados como obrigatórios no TOLC-I. Não há calculadora — tudo é feito à mão, com acesso a uma tabela de fórmulas exibida na tela.

Seção 2 — Logica (20 minutos, 10 questões). É aqui que o estudante costuma perder mais pontos, porque o ensino médio brasileiro não treina esse tipo de questão. As perguntas são parecidas com as do GMAT Integrated Reasoning ou dos LSAT logic games: sequências numéricas, silogismos, “qual elemento não combina com o resto”, códigos, quebra-cabeças espaciais. O tempo médio por questão é de 2 minutos, então não há espaço para cálculos no papel. Treino: pratique com a seção “Esercitati” do cisiaonline.it, onde há centenas de questões desse tipo de anos anteriores.

Seção 3 — Comprensione Verbale (20 minutos, 10 questões). Texto científico em italiano (~500 palavras) mais 10 perguntas sobre sua compreensão. Temática: divulgação científica (artigos sobre clima, tecnologia, medicina). Nível de italiano exigido: B2 (CILS, CELI, DELI). Se você fizer o English TOLC, essa seção é em inglês — exige IELTS 6.0+ ou TOEFL 80+.

Seção 4 — Scienze Fisiche e Chimiche (20 minutos, 10 questões). Física clássica (mecânica, termodinâmica, eletromagnetismo em nível de ensino médio) mais química geral (mol, estequiometria, equações de reações, fundamentos de química orgânica). Quem teve uma base sólida de física ou química no ensino médio leva vantagem aqui; sem ela, é preciso recuperar cerca de 40 horas de estudo.

O sistema de pontuação, que surpreende facilmente:

  • Resposta correta: +1 ponto
  • Resposta em branco: 0 ponto
  • Resposta errada: −0,25 ponto

A pontuação máxima é de 50 pontos. A penalidade por chute faz com que a estratégia de “marcar qualquer coisa em vez de deixar em branco” não funcione — se você não conseguir eliminar pelo menos duas das quatro opções, estatisticamente é melhor deixar a questão em branco. Um candidato com bom faro matemático costuma chegar a 30-40 pontos; 40+ já é um resultado muito bom para os cursos de ponta do Polimi.

Estratégia de tempo no TOLC-I:
  • Matematica (50 min): 2,5 min por questão — resolva rápido as 12-15 questões certas em 30 min e deixe 20 min para as difíceis
  • Logica (20 min): 2 min por questão — se depois de 1,5 min você não enxergar o padrão, pule (a penalidade de −0,25 dói)
  • Comprensione (20 min): 5 min para ler o texto, 1,5 min por questão — volte ao texto
  • Scienze (20 min): 2 min por questão — física e química juntas, então divida 12/8

Como se inscrever no TOLC a partir do Brasil, passo a passo?

A CISIA conduz a inscrição exclusivamente online, pelo portal cisiaonline.it. Para o candidato brasileiro, o processo todo leva de 30 a 40 minutos, mas há armadilhas — sobretudo com a tradução de documentos e com o timing de abertura das vagas. Comece no mínimo 6 semanas antes da sessão planejada, porque as sessões mais procuradas (abril, junho) se esgotam em 24 horas após a abertura das inscrições.

Passo 1 — Criar a conta na CISIA. No cisiaonline.it, clique em “Area Studenti” → “Registrazione”. Você precisa de: nome, sobrenome (exatamente como no passaporte), data de nascimento e codice fiscale (para estrangeiros é opcional — você pode deixar em branco ou gerar um provisório pela Agenzia delle Entrate). O endereço de e-mail precisa estar ativo — todos os avisos (confirmação da inscrição, link do exame, resultado) chegam só por e-mail.

Passo 2 — Escolha do tipo e da sessão de TOLC. O calendário das sessões está disponível em cisiaonline.it/area-tematica-tolc-cisia/calendario-sessioni-tolc/. Sessões 2026, em geral:

  • Fevereiro — primeiras sessões, as menos lotadas, ideais para quem se planeja com antecedência
  • Março-abril — pico de inscrições, as vagas somem em 24h
  • Maio-junho — populares entre os candidatos italianos, alta ocupação
  • Julho-setembro — segundo pico, mais as sessões de verão “extraordinarie”
  • Outubro — última chance antes do início do semestre

Escolha a modalidade: TOLC@CASA (em casa, a opção mais conveniente para quem está no Brasil — você não precisa voar para a Itália) ou TOLC-Sede (presencial em uma das 50+ cidades italianas). O TOLC@CASA exige um computador com câmera, internet estável (mínimo de 2 Mb/s de upload) e um quarto onde ninguém entre durante os 110 minutos de exame.

Passo 3 — Pagamento de 30 EUR. Pagamento por cartão (Visa/Mastercard) ou transferência imediata. 30 EUR equivalem a cerca de R$ 190, ao câmbio de R$ 6,30/EUR. Cada tentativa é uma taxa separada — se você planeja 3 tentativas em meio ano, o orçamento é de cerca de R$ 570 só para os exames.

Passo 4 — Pré-teste e checagem do equipamento. De 7 a 10 dias antes do exame, a CISIA envia o link para o pré-teste técnico. Você precisa passar pela simulação: instalação do Safe Exam Browser (software que bloqueia outros aplicativos), teste da câmera, teste do microfone, teste da velocidade da internet. Não passar no pré-teste = perda da vaga sem reembolso. Notebooks com Windows 10/11 ou Mac com macOS 12+ são compatíveis; o Linux NÃO é suportado.

Passo 5 — Dia do exame. Conecte-se 30 minutos antes do início. O fiscal da CISIA se conecta com você pela câmera, pede para você mostrar o quarto (360°), apresentar o documento (passaporte ou documento de identidade), e você começa. O exame é gravado; pausa para o banheiro não é permitida. Você recebe o resultado na hora, ao terminar — o sistema corrige as respostas automaticamente.

Armadilha que pega a maioria dos candidatos: o TOLC-I e os demais TOLC são 100% em italiano (exceto o English TOLC). A interface do exame, as instruções, as questões — tudo em italiano. Reserve no mínimo 20 horas de estudo para o vocabulário técnico (matemático, físico) em italiano, mesmo que a seção Comprensione não seja o seu forte. A CISIA não prevê traduções.

Como funciona a pontuação do TOLC e quais são as notas de corte nas universidades italianas?

A pontuação do TOLC vai de 0 a 50 pontos no TOLC-I/TOLC-S/TOLC-F (50 questões × 1 ponto) e de 0 a 36 no TOLC-E. Na prática, a média nacional fica em torno de 20-25 pontos no TOLC-I, então 30+ já está claramente acima da média, e 40+ é o decil de topo.

Cada universidade na Itália publica em seu site o chamado bando di concorso (edital de seleção) com as notas de corte exatas. As notas de 2024-2025 publicadas em universitaly.it e nos sites das universidades:

Politecnico di Milano (Polimi). O Polimi não usa uma nota de corte fixa — funciona por ranking por posição. A nota do TOLC-I da CISIA é ponderada junto com um bônus por fazer o teste mais cedo (bônus anticipato de +5 pontos para quem fez o TOLC até setembro do ano anterior) e dá uma posição no ranking. Quanto mais alta a posição, mais cedo você escolhe o curso. Estatísticas de 2024 (conforme polimi.it/ammissione):

  • Computer Science Engineering — nota média dos aprovados: ~38 pontos
  • Aerospace Engineering — média: ~37 pontos
  • Mechanical / Civil Engineering — média: ~30-32 pontos
  • Nota mínima para aprovação — 8 pontos (abaixo = OFA, mas é possível entrar quando não há concorrência)

Sapienza Università di Roma. A Sapienza usa uma nota de corte de 6 pontos no TOLC-I para os cursos de engenharia — abaixo disso o candidato recebe OFA (Obblighi Formativi Aggiuntivi), ou seja, a obrigação de cursar uma disciplina de nivelamento de matemática no primeiro semestre. Acima de 6 — aprovado no curso sem condições. Concorrência: menor que a do Polimi, mas nos cursos mais procurados (Computer Engineering na versão em inglês) os limites de vagas criam um ranking.

Università di Bologna. Bolonha usa notas de corte de 15-20 pontos na maioria dos cursos públicos no TOLC-I e no TOLC-S. Detalhes: unibo.it. Bolonha é menos concorrida que o Polimi, mas tem mais candidatos (o maior número de programas internacionais em inglês).

Scuola Superiore Sant’Anna di Pisa. A Sant’Anna é uma escola de elite, com seleção rigorosa — exigem 35+ pontos no TOLC-I mais um teste de mérito próprio mais uma entrevista. É a única universidade italiana com um nível de concorrência comparável ao das top-20 americanas.

Università degli Studi di Padova. Pádua aplica notas de corte de 10-15 pontos na maioria dos cursos de engenharia, mais baixas para os cursos das ciências naturais. Muito acolhedora para estrangeiros — uma comunidade internacional grande.

Notas de corte realistas no TOLC-I (2026):
  • 20-25 pts: Pádua, Bolonha (cursos menos concorridos), Sapienza (com OFA)
  • 25-32 pts: Sapienza (sem OFA), Polimi (cursos básicos), Bolonha (Computer Eng)
  • 32-40 pts: Polimi (cursos concorridos), Sant'Anna (corte inferior)
  • 40+ pts: Polimi cursos de topo (CS, Aerospace), Sant'Anna (candidato viável)

Um estudante com 90+ em matemática e 80+ em física no ensino médio, vindo de um colégio forte, após 3 meses de preparação sistemática, costuma alcançar 32-38 pontos. Isso basta para quase tudo, exceto Polimi CS e Sant’Anna.

Como se preparar para o TOLC e quais são os melhores materiais?

A CISIA oferece materiais de treino gratuitos em cisiaonline.it, na seção “Esercitati con il TOLC” — essa deve ser a sua primeira parada antes de gastar dinheiro em cursos comerciais. Os materiais incluem: provas completas de anos anteriores (com as respostas corretas), banco de questões em cada seção, simulador da interface do exame (idêntico ao que você verá ao vivo). A qualidade dos materiais da CISIA é suficiente para 80% dos candidatos — os cursos comerciais são um complemento, não um substituto.

Plano de preparação para quem tem boa base de matemática (2-3 meses):

Semana 1-2: Diagnóstico. Faça uma prova completa de um ano anterior do cisiaonline.it em condições de exame (110 minutos, sem pausas). Confira a nota. Mapeie as fraquezas:

  • Matematica: quais temas você domina? Trigonometria? Derivadas? Combinatória?
  • Logica: você enxerga os padrões nas sequências? Os códigos são chinês para você?
  • Comprensione: quanto tempo levou para entender o texto em italiano?
  • Scienze: quais áreas da física estão na sua cabeça e quais você esqueceu desde o começo do ensino médio?

Semana 3-6: Trabalho sobre as fraquezas. Cubra cada tema de forma sistemática. Materiais:

  • Matematica: o livro “Bergamini Trifone Barozzi — Matematica.blu 2.0” (padrão do ensino médio italiano), online: banco de questões do cisiaonline.it
  • Logica: “Test Logica per TOLC” (editora Edises) — 1500 questões com explicações
  • Comprensione: leia artigos da Le Scienze (a Scientific American italiana) — 30 min por dia
  • Scienze: “Halliday Resnick Walker — Fundamentos de Física”, banco de questões de física da CISIA

Semana 7-10: Simulados em escala real. Todo fim de semana, uma prova completa do cisiaonline.it. Meta: estabilizar a nota em 28+ no início e 35+ no final. Analise cada resposta errada; é melhor entender 5 erros do que refazer 50 questões sem reflexão.

Semana 11-12: Estratégia de tempo e ajustes finais. Trabalhe o ritmo: você cabe a matemática em 50 minutos? A lógica leva 20 ou 25 minutos? Treine a decisão “pular vs. responder” — isso muitas vezes decide os 5-7 pontos finais.

Sem uma base sólida de matemática: 4-6 meses. É preciso recuperar: trigonometria em toda a extensão, derivadas, combinatória, geometria analítica 3D. Recomendo começar por um bom material de revisão de matemática do ensino médio e depois passar para os materiais italianos.

Armadilha que os candidatos não enxergam: física e química no TOLC-I não são o nível básico do ensino médio brasileiro. A física exige conhecer, por exemplo, as transformações de Galileu, fundamentos de física quântica (efeito fotoelétrico), termodinâmica num nível acima do comum. A química exige estequiometria em forma mais difícil + fundamentos de química orgânica. Se você só viu o básico de física/química, recupere no mínimo 30 horas de estudo.

Cursos comerciais: a WAU (wauniversity.com), a UnidTest e a Edises oferecem cursos de 200-500 EUR. Pela minha experiência: para o candidato com boa base de matemática, os cursos não são indispensáveis — os materiais da CISIA bastam. Para quem não tem essa base — o curso da WAU (~300 EUR) faz sentido como estrutura.

Como o seu histórico do ensino médio se traduz nos requisitos das universidades italianas?

Para um candidato brasileiro, a Itália não faz parte do mesmo espaço de reconhecimento automático que vale dentro da União Europeia — o seu diploma de ensino médio precisa de reconhecimento formal. O caminho passa pela CIMEA (o centro italiano de reconhecimento de títulos), que emite a Dichiarazione di Valore ou a Statement of Comparability, e pelo consulado italiano. As universidades italianas costumam aceitar a candidatura pelo portal universitaly.it — a plataforma oficial do governo para candidatos estrangeiros, com validação consular obrigatória para quem é de fora da UE.

O que exatamente você precisa para se candidatar a uma universidade italiana (2026):

  1. Certificado de conclusão do ensino médio e histórico — com apostila de Haia (feita em cartório no Brasil) + tradução juramentada para o italiano
  2. Certificado de italiano — mínimo B2 (CILS, CELI ou DELI) para os cursos em italiano. O exame DELI ou CILS (Università per Stranieri di Siena) pode ser feito nos Istituti Italiani di Cultura de São Paulo e do Rio — custo de 130-180 EUR, tempo de espera pelo resultado de 6-8 semanas
  3. Certificado de inglês — IELTS 6.0+ ou TOEFL 80+ para os cursos em inglês
  4. Resultado do TOLC — uma sessão aceita, no mínimo um mês após a publicação do bando da universidade
  5. Pré-iscrizione (pré-inscrição) — pelo portal universitaly.it, com validação consular; para candidatos de fora da UE ela é obrigatória, normalmente até 30 de julho
  6. Dichiarazione di Valore (DoV) — emitida pelo consulado italiano em São Paulo/Rio, custo de cerca de 60 EUR; em muitos casos a Statement of Comparability da CIMEA pode substituí-la (confirme com a universidade)
  7. Visto de estudante (visto per studio) + permesso di soggiorno — como candidato de fora da UE, você precisa solicitar o visto no consulado italiano antes da viagem e o permesso di soggiorno nos primeiros 8 dias após a chegada à Itália

Armadilha 1: o italiano para a maioria dos cursos. Só cerca de 30% dos cursos de graduação têm versões em inglês. Computer Science Engineering em inglês no Polimi, Bachelor in Economics & Business em inglês em Bolonha, Bachelor in Engineering Sciences na Sapienza — são exceções. A maioria de física, química, farmácia, direito e medicina é em italiano → DELI/CILS B2 é um item obrigatório, não opcional.

Armadilha 2: o histórico por si só não basta. Diferentemente da lógica do vestibular (em que a nota é a porta de entrada), as universidades italianas exigem TOLC + histórico do ensino médio para os cursos com vagas limitadas, e muitas vezes o TOLC é o mais importante. O diploma do ensino médio serve como comprovação da conclusão dos estudos, não como instrumento de seleção.

Armadilha 3: ISEE e taxas. As universidades públicas italianas usam o sistema ISEE — um indicador da renda familiar. Para um candidato de fora da UE, é preciso solicitar o ISEE parificato (a versão para estrangeiros, montada com a documentação de renda da família). Com o ISEE parificato em mãos, a anuidade no Polimi pode ficar em 156 EUR (a faixa mais baixa) e na Sapienza em cerca de 500 EUR. Atenção: sem apresentar o ISEE parificato, o estudante de fora da UE paga a faixa máxima — cerca de 3.000-4.000 EUR/ano no Polimi. Para se enquadrar: tradução juramentada do comprovante de renda dos pais (declaração de imposto de renda) + a certidão correspondente, entregues em um CAF (Centro di Assistenza Fiscale) ou diretamente na universidade.

Para um candidato brasileiro com bom desempenho em matemática e intenção de cursar engenharia, um cronograma realista de candidatura para 2026:

  • setembro de 2025 — início do estudo de italiano (DELI B2)
  • novembro-dezembro de 2025 — primeiro TOLC@CASA experimental (diagnóstico)
  • fevereiro de 2026 — primeira tentativa real de TOLC-I
  • abril de 2026 — segunda tentativa (conta o melhor resultado)
  • maio de 2026 — exames finais do ensino médio
  • junho de 2026 — exame DELI B2
  • julho de 2026 — pré-iscrizione no universitaly.it + pedido de visto no consulado
  • setembro de 2026 — aprovação e matrícula

Confira a calculadora de GPA para ver como o seu histórico do ensino médio se traduz em diferentes sistemas de notas — em candidaturas aos EUA como plano B, vai ser útil.

Quais universidades italianas são um alvo realista para um candidato brasileiro pelo TOLC?

A Itália tem 67 universidades públicas e cerca de 30 privadas — mas, para o candidato estrangeiro com TOLC, a pool realista é de cerca de 10 instituições. O resto são pequenas universidades regionais, que recebem sobretudo estudantes locais. Vou me concentrar nas que têm uma comunidade internacional significativa e recebem candidatos estrangeiros todos os anos.

Politecnico di Milano (Polimi) — a politécnica de referência da Itália. QS Ranking 2024: #123 no mundo, #6 na Europa entre as politécnicas. ~50.000 estudantes, 6% internacionais. Cursos de graduação em inglês: Computer Science Engineering, Mathematical Engineering, Management Engineering. Anuidade para ISEE baixo: 156 EUR/ano (com o ISEE parificato apresentado) — SIM, de verdade. O TOLC-I é a base da admissão; leia o guia completo do Polimi. Milão é uma cidade cara — um quarto custa 500-750 EUR/mês, no total 800-1.200 EUR/mês de custo de vida.

Sapienza Università di Roma — a maior universidade da Europa. 110.000 estudantes, ~20.000 internacionais. QS #134. A Sapienza tem a oferta mais ampla de cursos: engenharia, medicina, direito, arquitetura, economia, letras. O TOLC-I e o TOLC-E são exigidos na maioria dos cursos. Programas em inglês: Bachelor in Engineering Sciences, Bachelor in Bioinformatics, MEDTECH (medicina em inglês, mas exige IMAT, não TOLC). Vida em Roma: 700-1.100 EUR/mês — mais barato que Milão, com um clima acadêmico de maior prestígio.

Università di Bologna — a universidade mais antiga do mundo (1088). Guia completo. 87.000 estudantes. QS #154. A oferta mais rica de programas internacionais da Itália: mais de 70 programas em inglês. TOLC-I, TOLC-E e TOLC-S usados conforme o curso. Como cidade, Bolonha é mais barata (650-900 EUR/mês) e tem a maior proporção de estudantes na população de toda a Itália.

Scuola Superiore Sant’Anna di Pisa — o MIT italiano. ~600 estudantes, hiperconcorrida. Exige TOLC-I 35+ mais um teste de mérito próprio mais uma entrevista. Vale a pena se você mira uma carreira científica — quase todos os formados seguem para o doutorado nas melhores universidades do mundo. Anuidade: quase zero, mas a concorrência é nível Stanford.

Università degli Studi di Padova. QS #219. ~65.000 estudantes. Pádua é acolhedora para estrangeiros — uma comunidade internacional grande, notas de corte do TOLC mais baixas, excelente oferta em inglês nas ciências naturais (Molecular Biology, Animal Care).

Plano B — e se o TOLC não der certo?

  • Bocconi (Milão): NÃO usa o TOLC. Via SAT 1350+ ou Bocconi Online Test (BOT). Anuidade: 13.000-16.000 EUR/ano, mas as bolsas por mérito cobrem até 100%. Guia da Bocconi
  • IE Madrid (Espanha): Assessment day (redação + entrevista), sem TOLC. Bachelor in Business Administration em inglês. Anuidade ~22.000 EUR/ano
  • TU Eindhoven (Holanda): Sem SAT/TOLC, exige diploma de ensino médio + carta de motivação. Como candidato de fora da UE, você paga a taxa institucional (~14.200 EUR/ano em 2026/27), não a taxa estatutária da UE
  • KTH Estocolmo (Suécia): Gratuita para estudantes da UE, mas para candidatos de fora da UE há mensalidade (~SEK 423.000 pelo programa inteiro, cerca de SEK 140.000/ano). Exige forte base de matemática + diploma. Sem TOLC.
  • Politécnicas alemãs (TU Munique, RWTH Aachen): A maioria continua gratuita também para estudantes de fora da UE (só taxa semestral de ~300 EUR), mas confirme caso a caso — Baden-Württemberg cobra 1.500 EUR/semestre de não europeus e a Baviera reintroduziu taxas para não europeus. Exige diploma + em geral Studienkolleg ou admissão direta. Sem TOLC.

Bocconi — nota à parte. A Bocconi é uma universidade privada de economia que não usa o TOLC. A Bocconi tem o seu próprio caminho: o Bocconi Online Test (BOT) — um teste por computador parecido com o GMAT (lógica, matemática, compreensão de texto) — ou o SAT (mínimo de 1350) com uma candidatura holística. Para o candidato, a Bocconi é uma via mais americana (redação, cartas de recomendação, entrevista) do que italiana. Anuidade de 13.000-16.000 EUR/ano para ISEE baixo, até 16.500 EUR a integral, mas a Bocconi oferece bolsas generosas por mérito. Guia completo da Bocconi.

Confira também a calculadora de candidatura para ver como o seu perfil (histórico, certificados, TOLC) se posiciona frente a diferentes universidades europeias — comparar Polimi vs. Sapienza vs. Bocconi vs. as TU alemãs ajuda a encontrar o ponto ideal.

Vale a pena fazer o TOLC na perspectiva de 2026?

A resposta curta: sim, se você mira cursos de engenharia, economia ou ciências naturais em uma universidade pública italiana. O TOLC é o caminho mais barato e acessível para as universidades italianas de referência — Polimi, Sapienza, Bolonha, Pádua. Custo de 30 EUR por tentativa, possibilidade de fazer de casa, resultado imediato, várias sessões por ano — é um sistema bem mais amigável que o SAT/ACT americano, com a exigência de presença física num centro de exame.

A resposta longa tem algumas camadas. Primeiro, o TOLC não é um exame difícil para quem tem boa base de matemática do ensino médio — o candidato médio, após 3 meses de preparação, alcança 30-40 pontos, o que basta para 80% dos cursos públicos italianos. Segundo, o sistema de financiamento (ISEE) faz com que estudar na Itália seja, na prática, mais barato do que cursar uma universidade privada no Brasil — o Polimi por 156 EUR/ano com ISEE baixo é uma oferta absurdamente boa diante das mensalidades de R$ 4.000-7.000/mês de cursos de engenharia em faculdades privadas brasileiras. Terceiro, o diploma de uma politécnica ou universidade italiana é reconhecido globalmente — Polimi e Bocconi têm rankings melhores que os de qualquer universidade brasileira, e Sapienza e Bolonha estão no Top 200 do QS.

Ressalvas: o italiano é uma barreira real. A maioria dos cursos de graduação é em italiano — DELI/CILS B2 é uma necessidade, não uma opção. Quem começa a estudar italiano só no último ano do ensino médio tem um caminho mais difícil do que quem começou antes. Segunda ressalva: a concorrência aumenta. Em 2024 foram cerca de 200.000 tentativas de TOLC; em 2025 o número crescia cerca de 10% ao ano, incluindo o aumento de candidatos internacionais. O candidato brasileiro compete cada vez mais não só com italianos, mas também com espanhóis, alemães, indianos e chineses.

Na perspectiva de 2026, escolher o TOLC faz sentido como parte de um portfólio de candidaturas mais amplo: TOLC para Polimi/Sapienza/Bolonha + SAT para a Bocconi + eventualmente uma candidatura às politécnicas alemãs (que, para a maioria dos cursos, seguem gratuitas, sem TOLC). Três caminhos em paralelo, três planos de contingência. Para um estudante brasileiro com boa matemática, vindo de um colégio forte, essa tríade é realmente executável no espaço de um ano.

Para quem o TOLC não faz sentido? Para quem mira exclusivamente a Bocconi (que não usa o TOLC), as universidades privadas como a LUISS Guido Carli (que aplicam testes próprios ao lado do TOLC) ou as universidades americanas (onde o TOLC não é aceito). Para quem não tem planos para as universidades públicas italianas, 30 EUR e 30 horas de estudo são orçamento desperdiçado.

Fontes e metodologia

Todos os dados deste artigo vêm de fontes oficiais disponíveis em abril de 2026:

  • CISIA (Consorzio Interuniversitario Sistemi Integrati per l’Accesso)cisiaonline.it — dados oficiais sobre o formato do TOLC, calendário de sessões, taxas, materiais preparatórios, estatísticas de tentativas (seção “TOLC in numeri”)
  • Universitaly.ituniversitaly.it — portal do governo para candidatos estrangeiros, pré-iscrizione, dados sobre as universidades
  • Politecnico di Milanopolimi.it — bandi di concorso, estatísticas de aprovados, estrutura do ranking por posição
  • Sapienza Università di Romauniroma1.it — dados sobre notas de OFA, cursos com TOLC
  • Università di Bolognaunibo.it — bandi di concorso, programas internacionais
  • Scuola Superiore Sant’Anna di Pisasantannapisa.it — requisitos de seleção
  • Università di Padovaunipd.it — bandi, estatísticas
  • CIMEAcimea.it — reconhecimento de títulos estrangeiros, Statement of Comparability, Dichiarazione di Valore

Câmbio: EUR/BRL ~6,30 (abril de 2026). Todos os preços em EUR são valores de tabela de 2024-2025; confirme os valores atuais nos sites das universidades antes de se candidatar.

Metodologia: os dados sobre notas de corte vêm dos bandi di concorso oficiais publicados pelas universidades nos sites das faculdades; as estatísticas de aprovados — dos relatórios da CISIA “TOLC in numeri” e dos relatórios universitários disponíveis para o TOLC-I/TOLC-E do ano acadêmico 2024/2025. Algumas notas (como a média de 38 pts em CS Eng no Polimi) são estimativas com base na posição no ranking de 2024, e não notas de corte formais fixas — o Polimi opera no modo de ranking, não de nota de corte. Verifique os dados atuais nos sites das universidades antes de cada candidatura.

O que NÃO está neste artigo: dados sobre cursos de medicina (medicina na Itália usa o IMAT, não o TOLC — é um exame separado); dados sobre cursos de artes e arquitetura (têm testes próprios, p. ex. o teste de arquitetura no Polimi); rankings de universidades privadas italianas como LUISS, NABA, IED.

Se você planeja se candidatar a uma universidade italiana para o ano acadêmico 2027/2028, comece pelos materiais do cisiaonline.it e pelo primeiro TOLC@CASA experimental já no outono de 2026 — um diagnóstico antecipado dá 6-9 meses para uma preparação real.

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