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Cartas de Recomendação para Estudar no Exterior – Como Obter as Melhores em 2026 | College Council
Candidaturas 33 min de leitura

Cartas de Recomendação para Estudar no Exterior – Como Obter as Melhores em 2026

Guia completo para cartas de recomendação fortes para estudar nos EUA, Reino Unido e Europa. Saiba quem pedir, como ajudar seu professor e o que incluir.

Cartas de Recomendação para Estudar no Exterior – Como Obter as Melhores em 2026

Você está na sala dos professores do seu ensino médio e acaba de pedir à professora de química uma carta de recomendação para a faculdade nos Estados Unidos. Ela te olha com uma mistura de gentileza e pavor. “Recomendação? E em que formato? Em inglês? O que devo escrever lá – que você se sai bem nas provas?” E, nesse momento, você percebe que está diante de um dos desafios mais difíceis para o candidato brasileiro que busca estudar no exterior: o sistema de cartas de recomendação, que, embora exista no Brasil, tem um formato e uma expectativa de profundidade muito diferentes do que é exigido pelas universidades americanas e britânicas.

No sistema de admissão americano, as cartas de recomendação não são uma mera formalidade. Elas são um dos elementos mais importantes da candidatura – muitas vezes decisivas para a aceitação ou rejeição de candidatos com resultados acadêmicos idênticos. A comissão de admissão de Harvard, Stanford ou MIT lê milhares de redações e vê milhares de excelentes resultados no SAT. Mas uma carta em que um professor escreve: “Em vinte anos de carreira, tive uma aluna que realmente mudou a maneira como penso sobre minha disciplina – e essa aluna é ela” – uma carta assim fica na memória. E muda a decisão.

O problema é que, no sistema educacional brasileiro, embora as cartas de recomendação existam, o formato e o tom esperados pelas universidades estrangeiras são frequentemente desconhecidos. Os professores podem não saber como escrevê-las neste estilo. Os alunos podem não saber a quem pedir. E o papel do “school counselor”, crucial na admissão americana, simplesmente não existe da mesma forma nas escolas brasileiras. Este guia resolve cada um desses problemas – passo a passo, com dicas concretas para estudantes do ensino médio brasileiros.

Se você está apenas começando a se familiarizar com o processo de candidatura para estudar no exterior, comece com nosso guia completo sobre como se candidatar a universidades nos EUA. E se você quiser entender como as cartas de recomendação se encaixam no quadro geral – como o Common App, as redações de candidatura ou as atividades extracurriculares – você encontrará links para cada um desses tópicos aqui.


Por que as cartas de recomendação são tão importantes

Para entender a importância das cartas de recomendação, você precisa entender como pensa a comissão de admissão de uma universidade americana. O admissions officer lê sua candidatura e vê números: pontuação SAT 1540, média 9.5, cinco disciplinas avançadas no ensino médio. Ele também vê sua redação – 650 palavras sobre como o voluntariado em um hospital mudou sua perspectiva sobre medicina. Mas como ele vai saber se isso é verdade? Como ele vai saber como você realmente é no dia a dia – na sala de aula, na interação com os colegas, em uma situação em que ninguém está te avaliando?

É exatamente para isso que servem as cartas de recomendação. Elas são o único elemento da candidatura que você não controla – e é por isso que as comissões as tratam com tanta confiança. Uma carta de um professor que te conhece há dois anos, que viu seus altos e baixos, que observou como você reage às dificuldades e como trata os outros – uma carta assim diz mais do que qualquer resultado de exame.

O Harvard Common Data Set consistentemente avalia as cartas de recomendação como um elemento com status de “considered” ou “important” no processo de admissão. O MIT, em sua página de admissões, escreve abertamente que as cartas de recomendação ajudam a entender “quem você é na sala de aula e fora dela”. Stanford fala sobre a busca por “intellectual vitality” – e é o professor quem pode confirmar que você possui essa vitalidade intelectual, descrevendo o momento em que você fez uma pergunta que ninguém na turma havia feito antes.

Na prática: duas candidaturas com resultados SAT idênticos, redações semelhantes e um perfil extracurricular comparável podem resultar em decisões completamente diferentes – e muitas vezes é a carta de recomendação que decide.


Quantas cartas de recomendação você precisa – EUA, Reino Unido, Europa

Os requisitos variam drasticamente dependendo do sistema ao qual você está se candidatando. Aqui está um resumo:

Estados Unidos (Common App)

  • 2 cartas de professores de disciplinas (teacher recommendations) – geralmente de áreas diferentes (por exemplo, uma de STEM, uma de humanas)
  • 1 carta do orientador escolar (school counselor recommendation) – no contexto brasileiro, pode ser o professor orientador de turma, diretor ou pedagogo escolar
  • Opcionalmente 1-2 cartas adicionais – de um mentor, empregador, treinador – algumas universidades permitem isso através da seção “Other Recommender” no Common App
  • Atenção: algumas universidades têm requisitos específicos – por exemplo, o MIT exige 2 cartas de professores (uma de STEM, uma de humanas) + carta do orientador escolar. Dartmouth permite peer recommendation (carta de um colega!)

Reino Unido (UCAS)

  • 1 referência acadêmica – escrita por um professor ou coordenador UCAS na escola
  • A referência UCAS é escrita em nome da escola, não de um professor específico – mas na prática é geralmente o professor da disciplina para a qual você está se candidatando
  • O formato é diferente do americano – mais formal, focado no potencial acadêmico, menos em anedotas pessoais
  • Mais sobre este sistema em nosso guia do UCAS

Europa Continental

  • Holanda, Alemanha, Suíça (ETH/EPFL): geralmente não exigem cartas de recomendação para cursos de graduação – a admissão é baseada em resultados acadêmicos
  • Itália (Bocconi, Polimi): não exige recomendações para a maioria dos programas de graduação
  • França (Sciences Po): exige 1-2 recomendações acadêmicas
  • Espanha (IE University): exige 1 carta de recomendação
  • Irlanda (Trinity College Dublin): via UCAS – 1 referência

Conclusão chave para o estudante brasileiro: se você está se candidatando aos EUA, precisa de no mínimo 3 cartas. Se for para o Reino Unido – 1. Se for para a Europa Continental – geralmente 0. Planeje-se adequadamente e não peça aos professores cartas que você não precisa.


Quem pedir uma carta de recomendação – estratégia de escolha

Esta é uma das perguntas mais importantes em todo o processo e onde os estudantes brasileiros cometem o primeiro erro grave. A regra é simples, mas não intuitiva: não peça ao melhor professor – peça ao professor que te conhece melhor.

O professor que te CONHECE, não o professor que te deu nota 10

Imagine dois cenários:

  • Professor A: Você tem nota 10 com ele, mas é um dos trinta alunos da turma. O professor lembra seu nome e sabe que você se sai bem nas provas. Ele pode escrever: “Aluno muito bom, sempre preparado, nota máxima.”
  • Professor B: Você tem nota 8 ou 9 com ela, mas depois das aulas vocês conversaram sobre seu projeto de pesquisa. Ela viu como você ajudou alunos com mais dificuldades. Ela sabe do seu sonho de estudar no exterior. Ela pode escrever: “Lembro-me do dia em que a Ana veio depois da aula com uma pergunta que me surpreendeu. Discutimos por uma hora, e uma semana depois ela me trouxe uma análise de dez páginas que seria um trabalho sólido em nível universitário.”

Qual carta é mais forte? Obviamente a segunda. Os admissions officers reconhecem cartas genéricas a quilômetros de distância – e as tratam como neutras, não positivas. Uma carta que diz “bom aluno, recomendo” não ajuda sua candidatura. Uma carta com uma anedota concreta, emoção e a perspectiva pessoal do professor – ajuda imensamente.

Critérios práticos de escolha

Aqui está uma lista de perguntas que você deve se fazer ao escolher um professor:

  1. O professor me conhece pessoalmente? – Já conversamos fora do contexto das notas? Ele sabe o que me interessa?
  2. O professor viu meus melhores momentos? – Uma apresentação, um projeto, uma discussão em aula, ajuda a outro aluno, uma reação a uma pergunta difícil?
  3. O professor ensina uma disciplina relacionada ao meu curso planejado? – Para candidaturas em STEM, o melhor é um professor de matemática, física ou química. Para humanidades – português, história ou inglês.
  4. O professor é capaz de escrever em inglês? – Se não, ele está disposto a colaborar com você na tradução?
  5. É um professor do 2º ou 3º ano do ensino médio? – As universidades americanas preferem recomendações de professores do junior/senior year (equivalente aos 2º e 3º anos do ensino médio brasileiro).

Quem NÃO pedir

  • Um professor que te conhece apenas por um semestre
  • Um professor com quem você tem a nota mais alta, mas que não consegue dizer nada sobre você além de “aluno aplicado”
  • Um professor que é conhecido por escrever pareceres curtos e formais
  • Um pai, parente ou qualquer pessoa com um conflito de interesses óbvio

O contexto brasileiro – como ajudar um professor que nunca escreveu uma carta de recomendação no estilo americano

Esta é uma seção que você não encontrará em nenhum guia americano, pois aborda um problema especificamente brasileiro. Nos EUA, todo professor de ensino médio já escreveu dezenas de cartas de recomendação. No Brasil – seu professor provavelmente nunca escreveu uma no estilo americano.

Não se trata de que os professores brasileiros sejam piores. Trata-se de que, no sistema educacional brasileiro, as cartas de recomendação no estilo americano não são comuns. O professor pode não saber qual formato usar, qual deve ser o comprimento da carta, o que a comissão de admissão espera e – o mais importante – qual tom usar. A tradição acadêmica brasileira é formal e reservada. A tradição americana de recomendações exige entusiasmo, exemplos concretos e envolvimento pessoal.

O que você pode fazer

1. Dê contexto ao professor. Explique o que é uma carta de recomendação no sistema americano. Diga diretamente: “Não é um parecer do boletim. É uma carta pessoal em que o(a) senhor(a) descreve como sou como aluno e como pessoa.”

2. Dê ao professor um “brag sheet” (ficha de conquistas). Este é um documento que contém:

  • Uma lista de suas conquistas acadêmicas (olimpíadas acadêmicas, concursos, projetos)
  • Uma lista de atividades extracurriculares com contexto
  • Seus objetivos – por que você quer estudar no exterior, em qual curso
  • 2-3 situações concretas das aulas daquele professor que podem servir como anedotas na carta
  • Uma lista das universidades para as quais você está se candidatando

3. Forneça exemplos de cartas fortes. Não cartas completas (isso seria antiético), mas explique o que funciona: anedotas concretas, comparação com outros alunos, a perspectiva pessoal do professor. Você pode dizer: “As melhores cartas começam com uma história concreta – um momento que o(a) senhor(a) se lembra.”

4. Dê tempo. Mínimo de 2-3 meses antes do prazo final. Um professor que nunca escreveu uma carta assim precisa de tempo para pensar, escrever e, eventualmente, revisar. Pedir uma semana antes do prazo é receita para uma carta genérica.

5. Ofereça ajuda com o inglês. Se o professor não se sentir seguro com o inglês, ofereça-se para ajudar a traduzir – mas enfatize que o conteúdo e as opiniões devem ser dele(a). Algumas universidades aceitam cartas no idioma original com tradução profissional.

6. Dê um modelo de formato. Mostre ao professor a estrutura: cabeçalho com dados, parágrafo de abertura (como conhece o aluno), 2-3 parágrafos com exemplos concretos, parágrafo de conclusão com uma recomendação inequívoca.

Mais sobre como construir um perfil extracurricular que servirá de material para recomendações fortes, você encontra em nosso guia de atividades extracurriculares.


O que torna uma carta de recomendação realmente forte

As comissões de admissão das melhores universidades leem milhares de cartas de recomendação por ano. Após centenas de cartas, um admissions officer consegue em 30 segundos diferenciar uma carta genérica de uma excepcional. Veja o que faz a diferença:

Anedotas concretas em vez de elogios genéricos

Fraco: “João é um aluno muito bom, ativo nas aulas e sempre preparado.”

Forte: “Lembro-me da aula sobre termodinâmica, quando João levantou a mão e perguntou se a segunda lei da termodinâmica se aplica a processos biológicos em nível celular. Essa pergunta não estava no programa – e, para ser sincera, tive que ir para casa e verificar a resposta. No dia seguinte, João veio com três artigos científicos sobre o assunto, que ele encontrou por conta própria.”

Comparação com o contexto

Fraco: “Ana é a melhor da turma.”

Forte: “Em dezoito anos ensinando química, tive provavelmente mais de mil alunos. Ana está entre os cinco primeiros quando se trata de pensamento independente e capacidade de conectar conceitos de diferentes áreas. Ela é a única aluna que já propôs, por conta própria, estender um experimento escolar com variáveis adicionais.”

Discussão sobre desenvolvimento e superação de dificuldades

As comissões não procuram perfeição – procuram caráter. Uma carta que mostra como o aluno superou uma dificuldade é mais forte do que uma carta que descreve apenas sucessos.

Exemplo: “No início do segundo ano, Marcos teve dificuldades com a parte analítica da física – o resultado da primeira prova foi 62%. Mas o que ele fez depois o distingue de todos os meus alunos: ele veio para as consultas, pediu exercícios adicionais e, por três meses, elevou sistematicamente seu nível. Segunda prova: 89%. Terceira: 97%. Isso não é talento – é a determinação que vejo nele em todos os aspectos do aprendizado.”

Tom pessoal do professor

As cartas mais fortes soam como se tivessem sido escritas por uma pessoa real, não por um burocrata. A comissão quer ouvir a voz do professor – seu entusiasmo, surpresa, orgulho.

Exemplo de encerramento: “Se eu tivesse uma filha, gostaria que ela tivesse um colega de turma como o Tomé. E se eu tivesse um aluno que pudesse enviar para a melhor universidade do mundo com a certeza de que ele não decepcionaria – seria ele.”


Brag sheet – sua arma secreta

O brag sheet (ficha de conquistas) é um documento que você entrega ao professor ao pedir uma recomendação. Nos EUA, é uma prática padrão – no Brasil, pode soar como se gabar. Mas não é gabar-se – é uma ferramenta que ajuda o professor a escrever uma carta concreta e detalhada.

Mesmo um professor que te conhece bem não se lembra de tudo. Ele não se lembra que no segundo ano você ganhou a etapa regional da olimpíada de biologia. Ele não sabe que você lidera um clube de programação para alunos mais jovens. Ele não sabe que você está se candidatando a engenharia biomédica no MIT. O brag sheet lhe dá o contexto sem o qual escrever uma carta forte é simplesmente impossível.

O que um brag sheet deve conter

  1. Seus dados – nome, sobrenome, ano, curso planejado e universidades
  2. Resumo acadêmico – principais conquistas, olimpíadas acadêmicas, resultados de exames (SAT, TOEFL)
  3. Atividades extracurriculares – com contexto e resultados mensuráveis (não “voluntariado”, mas “coordenador de voluntariado em hospital infantil, 120 horas, gerenciamento de equipe de 8 pessoas”)
  4. 2-3 lembranças concretas das aulas daquele professor – momentos que podem servir como anedotas. Ex: “Lembro-me de quando, na aula sobre a Revolução Francesa, fiz uma pergunta sobre paralelos com a ditadura militar – e discutimos isso por metade da aula.”
  5. Características que você quer que o professor destaque – ex: curiosidade intelectual, determinação, capacidade de trabalho em equipe, habilidades de liderança
  6. Por que você está pedindo a este professor em particular – isso não é apenas um elogio, mas uma informação que ajuda o professor a entender qual aspecto da sua personalidade a carta deve abordar

Como entregar um brag sheet sem constrangimento

Para os estudantes brasileiros, é constrangedor entregar ao professor uma lista de suas conquistas – isso é compreensível em uma cultura que valoriza a modéstia. Veja como abordar isso:

  • Diga diretamente: “Sei que isso pode parecer estranho, mas no sistema americano é uma prática padrão. Este documento tem como objetivo facilitar a escrita para o(a) senhor(a) – não é para me gabar, mas para ajudar.”
  • Entregue o documento por escrito (impresso ou em PDF), não conte oralmente – o professor precisará dele à mão durante a escrita
  • Sugira um encontro onde o professor possa fazer perguntas

Mais sobre como construir um perfil extracurricular que será material para recomendações fortes, você encontra em nosso guia de atividades extracurriculares.


Carta do orientador escolar – o maior desafio para candidatos brasileiros

No sistema de admissão americano, a school counselor recommendation é uma carta escrita pela pessoa responsável pelo desenvolvimento acadêmico e pessoal do aluno – alguém que o conhece há anos, conhece o contexto da escola e pode situar o aluno em relação à turma. Em uma típica high school americana, o orientador escolar cuida de 200-500 alunos e escreve recomendações para eles como parte de seu trabalho.

No Brasil, esse papel não existe da mesma forma. O pedagogo escolar geralmente lida com alunos com problemas. O professor orientador de turma muda a cada poucos anos e muitas vezes conhece o aluno superficialmente. O diretor vê o aluno uma vez por ano em eventos.

Soluções para o candidato brasileiro

Opção 1: Professor orientador de turma. Esta é a escolha mais comum e geralmente a melhor, desde que o professor orientador te conheça pelo menos desde o primeiro ano. Explique a ele o papel do orientador escolar, dê um brag sheet e explique que ele deve descrever:

  • Sua posição em relação à turma e à escola
  • O contexto da escola (Perfil da Escola – um documento separado)
  • Suas características pessoais visíveis nas interações diárias
  • Eventuais circunstâncias (dificuldades familiares, mudança de escola, obstáculos que você superou)

Opção 2: Diretor da escola. Se o professor orientador praticamente não te conhece, o diretor pode ser uma escolha melhor – especialmente se você é ativo na vida escolar (grêmio estudantil, organização de eventos, representação da escola em concursos).

Opção 3: O Common App permite explicar a situação. Na seção Additional Information, você pode escrever brevemente que no sistema educacional brasileiro não existe um equivalente ao school counselor americano e explicar quem escreve a carta em seu lugar. As comissões de admissão das melhores universidades conhecem esse problema – você não é o primeiro candidato brasileiro.

Opção 4: Mentor externo ou consultor educacional. Se você trabalha com um mentor do College Council, ele pode atuar como um conselheiro que conhece o contexto da sua candidatura. No entanto, a carta formal do orientador escolar deve vir da sua escola.

Perfil da Escola – um documento que os estudantes brasileiros esquecem

Além da carta do orientador escolar, o Common App exige um Perfil da Escola – um documento que descreve sua escola: escala de notas, número de alunos, disciplinas oferecidas, resultados de exames de conclusão do ensino médio, porcentagem de alunos que ingressam na universidade. Nos EUA, toda escola tem um Perfil da Escola pronto. No Brasil – sua escola provavelmente não tem um documento assim.

Solução: prepare-o você mesmo (ou peça ao professor orientador para colaborar) e peça ao diretor para assinar. Deve conter:

  • Nome da escola, endereço, dados de contato
  • Escala de notas (0-10 com descrição)
  • Número de alunos na turma e na escola
  • Disciplinas avançadas oferecidas
  • Médias dos resultados de exames de conclusão do ensino médio da escola (se forem bons – vale a pena incluir)
  • Contexto: se a escola é pública/privada, se está em rankings

Cronograma – quando pedir as recomendações

O timing é crucial, e os estudantes brasileiros muitas vezes começam tarde demais. Aqui está o cronograma ideal:

2º ano do ensino médio, primavera (março-maio)

  • Identifique os professores que você pedirá para escrever as recomendações
  • Comece a construir relacionamentos – envolva-se nas aulas, faça perguntas, vá às consultas
  • Informe os professores sobre seus planos – não peça formalmente ainda, mas diga: “Planejo me candidatar a universidades no exterior e gostaria de pedir ao(à) senhor(a) uma carta de recomendação no próximo ano letivo.”

Último ano do ensino médio, setembro

  • Peça formalmente – de preferência no início do ano letivo, no mínimo 2-3 meses antes do primeiro prazo final
  • Entregue o brag sheet – impresso, com todas as informações que o professor precisa
  • Explique o processo técnico – como enviar a carta via Common App ou UCAS (ou quem fará isso em nome do professor)
  • Forneça os prazos finais – com uma margem de no mínimo 2 semanas (se o prazo final de Early Decision for 1º de novembro, peça a carta para 15 de outubro)

Outubro-novembro

  • Verifique o status – pergunte delicadamente se o professor precisa de informações adicionais
  • Não pressione – mas certifique-se de que a carta esteja pronta no mínimo uma semana antes do prazo final
  • Ajude com os aspectos técnicos – se o professor tiver problemas com o Common App, ajude-o passo a passo

Prazos finais importantes 2025/2026

RodadaPrazo final de candidaturaPrazo final para cartas (com margem)
Early Decision / REA1º de novembro de 202515 de outubro de 2025
Early Decision II1º de janeiro de 202615 de dezembro de 2025
Regular Decision1-15 de janeiro de 202615-31 de dezembro de 2025
UCAS (Oxford/Cambridge)15 de outubro de 20251º de outubro de 2025
UCAS (demais)29 de janeiro de 202615 de janeiro de 2026

Mais sobre o cronograma de todo o processo de candidatura – em nosso cronograma detalhado de candidaturas para estudar no exterior.


Envio de cartas – Common App, UCAS e outras plataformas

Common App

No Common App, o professor envia a carta de recomendação diretamente – não por você. O processo é assim:

  1. Na seção “Recommenders and FERPA”, você fornece os dados de contato de seus professores e do orientador escolar (nome, sobrenome, e-mail, disciplina)
  2. Você deve assinar o FERPA waiver – uma declaração de que você renuncia ao direito de acessar as cartas de recomendação. Sempre assine este termo de renúncia. Se você não o fizer, a comissão tratará as cartas com menos confiança (porque o professor pode ter escrito “sob censura” do aluno)
  3. O Common App envia automaticamente um e-mail ao professor com um link para enviar a carta
  4. O professor preenche um formulário curto (avaliação do aluno em várias categorias em uma escala) e carrega a carta como PDF ou a digita diretamente
  5. Você não vê o conteúdo da carta – e não deve perguntar ao professor o que ele escreveu

Observação para professores brasileiros: a interface do Common App está em inglês. Se o professor não se sentir seguro com a plataforma, sente-se com ele e ajude tecnicamente – mas não leia o conteúdo da carta.

UCAS

No UCAS, a referência é enviada pela escola, não por um professor individual. Sua escola deve estar registrada no sistema UCAS (o chamado UCAS centre). Se não estiver – você pode se candidatar como um candidato independente (independent applicant) e enviar a referência do professor você mesmo. Detalhes – em nosso guia do UCAS.

Outras plataformas

  • Coalition App – sistema semelhante ao Common App, o professor envia diretamente
  • Portais de universidades europeias – geralmente exigem o upload da carta como PDF ou o envio por e-mail para o endereço da universidade
  • UC Application (Califórnia) – não exige cartas de recomendação (exceção!)

Erros mais comuns de candidatos brasileiros com cartas de recomendação

Após anos observando o processo de candidatura de alunos brasileiros para universidades estrangeiras, aqui estão os erros que se repetem com mais frequência:

Erro 1: Pedir tarde demais

Três semanas antes do prazo final é tarde demais. Um professor que escreve uma carta às pressas escreverá uma carta genérica. Peça no mínimo 2-3 meses antes – em setembro do último ano, não em novembro.

Erro 2: Escolher o professor “pela nota”

Um professor com quem você tem nota 10, mas que não te conhece, escreverá uma carta mais fraca do que um professor com quem você tem uma boa nota, mas que te conhece como pessoa. Os admissions officers procuram profundidade, não a confirmação de uma nota no boletim.

Erro 3: Não dar contexto ao professor

O professor brasileiro pode não saber o que a comissão de admissão de Stanford espera. Se você não lhe der um brag sheet, um modelo de formato e uma explicação do processo – ele escreverá algo no estilo de um parecer do boletim escolar: formal, seco, sem anedotas. Isso não é culpa dele – é sua responsabilidade.

Erro 4: Escrever a carta pelo professor

Tentador, mas antiético e arriscado. As comissões de admissão conseguem reconhecer quando uma carta soa como se tivesse sido escrita por um aluno, e não por um professor (por exemplo, inglês muito bem escrito, tom inconsistente com a perspectiva do professor). Você pode ajudar com a tradução, mas o conteúdo e as opiniões devem ser autênticos.

Erro 5: Ignorar a carta do orientador escolar

Muitos alunos brasileiros dedicam 95% da energia às cartas dos professores e esquecem a carta do orientador escolar. No entanto, essa carta fornece o contexto de que o admissions officer precisa: quem você é em relação à sua turma, como é sua escola, quais obstáculos você superou. Não a ignore.

Erro 6: Não assinar o termo de renúncia FERPA

Se você não assinar o termo de renúncia FERPA no Common App, a comissão tratará as cartas com reserva. Assinar o termo de renúncia não significa que você nunca verá as cartas – significa que o professor as escreveu honestamente, sem medo de que o aluno as lesse. Sempre assine o termo de renúncia.


Estrutura de uma carta de recomendação forte – um esboço

Não posso fornecer um modelo completo de carta (porque cada carta deve ser única), mas aqui está uma estrutura que você pode mostrar ao professor:

Parágrafo 1: Apresentação e contexto do relacionamento

Quem sou, há quanto tempo e em que contexto conheço o aluno.

  • “Sou professor de física no Colégio XYZ em São Paulo há 15 anos. Ensino Ana há dois anos na turma com programa avançado de física e matemática.”

Parágrafo 2: Habilidades acadêmicas com exemplos concretos

O que distingue este aluno intelectualmente? Uma anedota concreta.

  • O momento em que o aluno fez uma pergunta excepcional, resolveu um problema de forma não convencional ou foi além do programa

Parágrafo 3: Características pessoais e caráter

Como é este aluno como pessoa? Como ele influencia o ambiente?

  • Como trata os colegas, como reage às dificuldades, se ajuda os outros, se é um líder

Parágrafo 4: Desenvolvimento e determinação

Como o aluno mudou/se desenvolveu no tempo em que o conheço?

  • Superação de dificuldades, progressão de habilidades, iniciativas tomadas por vontade própria

Parágrafo 5: Recomendação inequívoca

Conclusão forte e pessoal.

  • Comparação com outros alunos (por exemplo, “top 1% dos alunos que ensinei em toda a minha carreira”)
  • Apoio pessoal (por exemplo, “Recomendo Ana sem reservas e com total convicção”)

Comprimento: 1-2 páginas (400-800 palavras). Não muito curto (parece falta de engajamento), não muito longo (o admissions officer não lerá 5 páginas).


Diferenças culturais – o estilo brasileiro vs. o americano de recomendações

Este tópico é crucial e muitas vezes negligenciado. A cultura de escrever recomendações no Brasil e nos EUA são dois mundos completamente diferentes.

Tradição brasileira: formalidade e reserva

Na cultura acadêmica brasileira, os elogios são comedidos. Um bom aluno é um “aluno muito bom” – não “a mente mais brilhante que encontrei na carreira”. Professores brasileiros escrevem de forma formal, concisa, sem muita emoção. Um parecer escolar no estilo brasileiro soa mais ou menos assim: “Aluno dedicado, disciplinado, com ótimo desempenho acadêmico. Ativo nas aulas. Recomendo.”

Tradição americana: entusiasmo e concretude

Na cultura americana de recomendações, uma carta forte soa completamente diferente: é cheia de entusiasmo, exemplos concretos, anedotas pessoais e declarações inequívocas. “This is the most intellectually curious student I have taught in my twenty-year career” – isso não é exagero no contexto de uma recomendação americana, é o padrão.

O que isso significa na prática

Se um professor brasileiro escrever uma carta no estilo brasileiro – formal, reservado, sem emoção – o admissions officer de uma universidade americana a interpretará como “morna” (lukewarm). No sistema americano, falta de entusiasmo = falta de recomendação. Isso não é justo, mas é assim que o sistema funciona.

Sua tarefa é explicar ao professor essa diferença cultural. Não diga a ele o que escrever – mas explique que a convenção americana exige expressões mais fortes do que aquelas às quais ele está acostumado. Um “aluno muito bom” no contexto brasileiro é um grande elogio. No contexto americano, é um “damning with faint praise” – um elogio tão fraco que acaba prejudicando.


Cartas de recomendação adicionais – de quem e quando

Além das cartas exigidas de professores e do orientador escolar, algumas universidades permitem (ou até incentivam) o envio de recomendações adicionais. Mas atenção: uma carta adicional deve trazer uma nova perspectiva. Se ela repete o que os professores já escreveram, apenas toma o tempo do admissions officer.

Quando uma carta adicional faz sentido

  • Mentor de um projeto de pesquisa – se você trabalhou em um projeto científico sob a supervisão de um professor ou pesquisador
  • Empregador – se você teve um estágio ou trabalho onde demonstrou habilidades excepcionais
  • Treinador esportivo – se o esporte é um elemento chave do seu perfil (por exemplo, seleção nacional)
  • Líder de uma organização em que você atua – se sua atividade social é um elemento central da candidatura

Quando uma carta adicional prejudica

  • Quando repete o conteúdo das recomendações principais
  • Quando vem de alguém que mal te conhece (por exemplo, um professor famoso com quem você conversou uma vez)
  • Quando a universidade pede explicitamente para não enviar materiais adicionais (por exemplo, Brown University: “We strongly advise against additional letters”)

Ajuda do College Council, Prepclass.io e Okiro.io

O processo de obtenção de cartas de recomendação fortes não é apenas uma questão de pedir – é uma estratégia que começa meses, ou até anos, antes do prazo final. Se você sente que precisa de apoio:

  • College Council – nossos mentores ajudam estudantes brasileiros em todas as etapas do processo de candidatura, incluindo a estratégia de recomendações: quem pedir, como preparar o brag sheet, como ajudar o professor com o formato. Agende uma consulta gratuita.
  • Prepclass.io – plataforma para preparação para o exame TOEFL, que é exigido pela maioria das universidades americanas e britânicas. Uma pontuação forte no TOEFL (110+) apoia sua candidatura ao lado das cartas de recomendação.
  • Okiro.io – plataforma para preparação para o Digital SAT. Uma pontuação SAT 1500+ é a base sobre a qual você constrói o restante da sua candidatura – incluindo o contexto para as recomendações.

Leia mais sobre a preparação para o SAT em nosso guia completo do exame SAT e sobre o TOEFL no guia do exame TOEFL.


Leia também

Se este guia foi útil para você, aqui estão artigos que aprofundarão seu conhecimento sobre o processo de candidatura:


FAQ – perguntas frequentes sobre cartas de recomendação

Perguntas frequentes sobre cartas de recomendação

Quantas cartas de recomendação preciso para estudar nos EUA?
Normalmente, você precisa de 2 cartas de professores de disciplinas e 1 carta do orientador escolar (no contexto brasileiro – professor orientador de turma ou diretor). Algumas universidades permitem cartas adicionais de mentores, empregadores ou treinadores. Verifique os requisitos de cada universidade individualmente.
Posso escrever a carta de recomendação e pedir para o professor assinar?
Não. Isso é antiético e arriscado. As comissões de admissão conseguem reconhecer cartas escritas por alunos (tom, perspectiva, qualidade do inglês). Você pode ajudar o professor com a tradução e o formato, mas o conteúdo e as opiniões devem ser dele(a). Ser pego "ghostwriting" uma recomendação pode levar à rejeição da candidatura.
O que fazer se meu professor não fala inglês?
O professor pode escrever a carta em português, e você (ou um tradutor profissional) pode traduzi-la para o inglês. Muitas universidades aceitam traduções com uma nota indicando quem traduziu. Alternativamente, o professor pode colaborar com você ou com um falante nativo de inglês na redação da versão em inglês – desde que o conteúdo e as opiniões sejam autenticamente dele(a).
O que é o termo de renúncia FERPA e devo assiná-lo?
O termo de renúncia FERPA no Common App é uma declaração de que você renuncia ao direito de acessar suas cartas de recomendação. Sempre assine este termo de renúncia. Se você não o fizer, a comissão tratará as cartas com menos confiança, presumindo que o professor pode ter se autocensurado. Assinar o termo de renúncia é o padrão.
Qual o prazo máximo para pedir uma recomendação ao professor?
No mínimo 2-3 meses antes do prazo final, ou seja, para Early Decision (1º de novembro) – o mais tardar em setembro. Para Regular Decision (1º de janeiro) – o mais tardar em outubro. Idealmente: informe o professor na primavera do penúltimo ano do ensino médio e peça formalmente no início do último ano (setembro).
Quem escreve a carta do orientador escolar se minha escola não tem um?
No ensino médio brasileiro, o papel do orientador escolar é geralmente desempenhado pelo professor orientador de turma ou pelo diretor da escola. Explique a eles o papel do orientador, forneça um brag sheet e o Perfil da Escola. Na seção Additional Information do Common App, você pode explicar que o sistema educacional brasileiro não possui um equivalente direto ao school counselor americano.
Preciso de cartas de recomendação para estudar no Reino Unido também?
Sim, mas em um formato diferente. O UCAS exige uma única referência acadêmica – escrita em nome da escola, geralmente pelo professor da disciplina à qual você está se candidatando. O formato é mais formal que o americano, focado no potencial acadêmico. Para Oxford e Cambridge, a referência é particularmente importante.
O College Council ajuda na preparação das cartas de recomendação?
Sim – os mentores do College Council ajudam os alunos em todas as etapas: desde a estratégia de escolha dos professores, passando pela preparação do brag sheet, até o apoio aos professores na compreensão do formato das recomendações americanas. Agende uma consulta gratuita.

Artigo atualizado em fevereiro de 2026. Informações elaboradas com base nas diretrizes oficiais do Common Application 2025/2026, UCAS 2025/2026, documentação de admissão de Harvard, Stanford, MIT, Yale e experiência dos mentores do College Council.

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