Você está no seu quarto, com trinta abas abertas no navegador, e cada uma diz algo diferente. Em uma página, você lê que o prazo final é em outubro; em outra, que é em janeiro. Um fórum afirma que o personal statement deve ter 4.000 caracteres, outro fala em 47 linhas. Alguém no Reddit diz que as predicted grades do ENEM são um problema, outra pessoa diz que não. E de repente você percebe que não tem ideia de por onde começar.
Se você planeja estudar no Reino Unido, mais cedo ou mais tarde você se deparará com as quatro letras que definem todo esse processo: UCAS. É o portal por onde passa todo candidato – independentemente de você almejar Oxford, Cambridge, Imperial ou um programa menos conhecido, mas excelente, na University of Bath. O sistema UCAS é ao mesmo tempo elegantemente simples (uma plataforma, um formulário, um personal statement) e surpreendentemente complexo (dois prazos finais diferentes, cinco escolhas com restrições, predicted grades que seu professor precisa de alguma forma emitir sem um equivalente brasileiro). Para um estudante brasileiro do ensino médio, acostumado a processos seletivos baseados em notas de exames nacionais (como o ENEM), o sistema britânico é um mundo completamente diferente.
Neste guia, vou te conduzir por todo o processo de candidatura UCAS, passo a passo – desde o registro na plataforma, passando pela redação do personal statement, as notas previstas do ENEM, os testes de admissão para as universidades de ponta, as entrevistas, até o sistema de ofertas, o Results Day e o Clearing. Se você tem interesse em uma universidade específica, confira nossos guias sobre estudos no Reino Unido, Oxford, Cambridge, UCL, LSE ou Imperial. E se você também considera estudar nos EUA, compare este sistema com o processo de candidatura para universidades nos EUA – as diferenças são fundamentais.
O que é o UCAS e por que você não entra em uma universidade no Reino Unido sem ele
UCAS (Universities and Colleges Admissions Service) é o sistema central de admissão para cursos de graduação (undergraduate) no Reino Unido. Não é uma universidade nem uma organização governamental – é uma instituição independente que, desde 1993, atua como intermediária entre os candidatos e as universidades britânicas. Na prática, o UCAS funciona como o Common Application nos EUA, mas com algumas diferenças cruciais que você precisa entender.
Primeiro, através do UCAS, você envia uma única candidatura – um formulário, um personal statement, uma carta de recomendação – que vai para no máximo cinco universidades (ou cursos). Você não escreve redações separadas para cada universidade, como no sistema americano de supplemental essays. Isso é uma grande facilidade, mas também um desafio: seu personal statement deve ser universal o suficiente para se adequar a cada um dos cinco programas escolhidos – e, ao mesmo tempo, específico o bastante para demonstrar uma paixão autêntica pela área de estudo selecionada.
Segundo, o UCAS tem prazos rígidos e inegociáveis. Nos EUA, você pode se candidatar no modo Regular Decision até janeiro ou fevereiro. No Reino Unido, o prazo final para Oxbridge e cursos de medicina é 15 de outubro, e para todas as outras universidades – 31 de janeiro. Após essas datas – com exceção do UCAS Extra e Clearing – as portas se fecham.
Terceiro, o sistema de avaliação é diferente. Nos EUA, contam o GPA, o SAT e a avaliação holística. No Reino Unido, uma coisa importa acima de tudo: suas notas nos exames (A-levels, IB ou equivalentes nacionais – incluindo o ENEM). O personal statement, a carta de recomendação e os testes de admissão são importantes, mas são as predicted grades que decidem se a universidade sequer considerará sua candidatura.
UCAS em números – ciclo de candidatura 2025/2026
Fonte: UCAS End of Cycle Report 2025, UCAS.com
Cronograma UCAS – prazos cruciais que você não pode perder
A candidatura via UCAS é uma maratona com pontos de controle precisamente definidos. Um prazo perdido – e você terá que esperar um ano inteiro. Abaixo, você encontrará o cronograma completo para o candidato brasileiro para o ano acadêmico 2026/2027 (início dos estudos: setembro/outubro de 2027).
A primeira data que você precisa memorizar é maio do ano anterior – é quando o sistema UCAS é aberto para a busca de cursos. A partir desse momento, você pode navegar pelas ofertas das universidades, verificar os requisitos e planejar sua estratégia. O registro de contas e o preenchimento das candidaturas começam a partir de meados de maio. Não espere até setembro – quanto antes você começar, menos estresse.
A divisão mais importante dos prazos é em duas categorias: early deadline (15 de outubro) e equal consideration deadline (31 de janeiro). Se você se candidata a Oxbridge (Oxford ou Cambridge), medicina, odontologia ou veterinária – o prazo mais cedo se aplica a você. Para todos os outros cursos e universidades: 31 de janeiro.
Cronograma UCAS 2026/2027
Do registro ao Results Day – prazos cruciais para o candidato brasileiro
Fonte: UCAS Key Dates 2026/2027, ucas.com
5 escolhas – como distribuí-las de forma inteligente
No UCAS, você tem exatamente 5 escolhas (choices). Cada escolha é uma combinação de universidade + curso – ou seja, se você quer se candidatar a Computer Science na Imperial e a Computer Science na UCL, são duas escolhas separadas. Você não pode se candidatar a 5 universidades para 3 cursos diferentes – não de uma forma que faça sentido, pois seu personal statement deve se concentrar em uma única área.
Restrições cruciais que você precisa conhecer:
- Oxford ou Cambridge – nunca as duas no mesmo ano. As regras de Oxbridge proíbem a candidatura a ambas as universidades simultaneamente (com exceção das Organ Scholarships). Se você escolher uma – sobram 4 escolhas para outras universidades.
- Medicina, odontologia, veterinária – no máximo 4 escolhas para esses cursos; a quinta deve ser diferente (por exemplo, Biomedical Sciences como plano B).
- A ordem das escolhas não importa – as universidades não veem para onde mais você está se candidatando. Sua candidatura aparece idêntica para cada uma das cinco universidades.
A estratégia para o candidato brasileiro deve ser mais ou menos assim:
- 1–2 universidades “reach” – de ponta, sonhadas, mas realistas (por exemplo, Oxford, Imperial, LSE)
- 2–3 universidades “match” – sólidas, renomadas, com requisitos realistas (por exemplo, Warwick, Edinburgh, Bath, Bristol)
- 1 universidade “safety” – com requisitos mais baixos, para a qual você quase certamente será aceito
Não desperdice suas escolhas em universidades para as quais você não quer ir. 5 escolhas é pouco – cada uma deve ser bem pensada.
Personal statement – como escrever um texto que abrirá portas
O personal statement é um único texto que é enviado para todas as cinco universidades escolhidas via UCAS. A partir do ciclo 2025/2026, o UCAS introduziu um novo formato de personal statement baseado em três perguntas guia, em vez de um campo aberto. O limite é de 4.000 caracteres (cerca de 600 palavras) – e sim, cada caractere conta, incluindo os espaços.
Não é uma redação sobre sua vida. Não é um currículo. Não é uma lista de atividades. O personal statement é a história acadêmica da sua paixão pelo curso escolhido, escrita de uma forma que convença o acadêmico que a lê às 23h, com seu décimo quinto café, de que você é a pessoa com quem vale a pena trabalhar pelos próximos três anos.
A regra 80/20 – academia versus o resto
A melhor regra a seguir: 80% do conteúdo sobre a paixão acadêmica pelo curso, 20% sobre o resto. As universidades britânicas – ao contrário das americanas – não procuram candidatos multifacetados com vinte atividades. Elas procuram pessoas que são profundamente engajadas em uma área de conhecimento.
Esses 80% devem responder às perguntas:
- O que te fascina neste curso? Não generalizações – perguntas, problemas, descobertas específicas.
- O que você leu/fez fora do programa escolar? Livros, artigos, cursos online, projetos.
- Que perguntas você faz? Mostre que você pensa criticamente, não que reproduz conhecimento.
- Como tudo isso se conecta em uma narrativa coesa? Não uma lista – uma história.
Os 20% restantes são sobre habilidades relevantes (teamwork, leadership, self-discipline) ilustradas com exemplos concretos. Se você toca em uma orquestra – não escreva que você toca em uma orquestra. Escreva o que isso te ensinou sobre disciplina e trabalho em equipe, e como isso se aplicará aos seus estudos.
O que evitar a todo custo
- “Desde criança, sou fascinado por…” – não. Comece com algo concreto.
- Listar atividades – o personal statement não é um currículo. Conte uma história.
- Citações de pessoas famosas – soam banais e desperdiçam caracteres preciosos.
- Escrever sobre um curso para o qual você não está se candidatando – se suas 5 escolhas são para Economia, não escreva sobre sua paixão por medicina.
- Generalizações – “a ciência é fascinante” não diz nada. “Fiquei fascinado pelo modelo ISLM porque…” – isso já começa a dizer algo.
Esquema prático do personal statement
- Abertura impactante (1–2 frases): um evento específico, uma pergunta, uma leitura que acendeu sua paixão. Sem patos – com autenticidade.
- Aprofundamento acadêmico (2/3 do conteúdo): o que você leu, o que descobriu, que perguntas você faz. Cada parágrafo é um tópico que você aprofunda. Mostre que você pensa como um acadêmico, não como um estudante.
- Habilidades e experiências (1/3 do conteúdo): como atividades específicas te prepararam para a universidade. Não uma lista – conectando os pontos.
- Fechamento (1–2 frases): curto, confiante, sem melodrama. Diga o que você espera dos estudos.
Se você precisa de ajuda profissional para escrever seu personal statement, a equipe do College Council tem ajudado candidatos brasileiros a passar por esse processo há anos. Nossos consultores conhecem as nuances do UCAS de ponta a ponta – agende uma consulta, e nós o ajudaremos a transformar suas experiências em um texto que realmente funciona.
Carta de recomendação e predicted grades – o que seu professor precisa saber
Na candidatura UCAS, você encontrará um espaço para uma carta de recomendação (reference) de um professor ou orientador educacional. No sistema brasileiro, esse papel geralmente é desempenhado por um professor de uma disciplina relevante, diretor da escola ou coordenador. A carta de recomendação deve confirmar suas habilidades acadêmicas, ética de trabalho, potencial para os estudos – e ser escrita em inglês.
O problema é que muitos professores brasileiros nunca escreveram uma carta de recomendação no formato UCAS. Não é um atestado com carimbo. É uma avaliação do candidato da perspectiva de alguém que o conhece academicamente – concreta, detalhada, de preferência com exemplos. Deve ter 1 a 2 páginas e responder à pergunta: “Por que este aluno terá sucesso em uma universidade no Reino Unido?”
Predicted grades – como funciona com o ENEM
Este é um dos elementos mais confusos para os candidatos brasileiros. As predicted grades são as notas previstas dos exames finais que seu professor/escola informa na candidatura UCAS. No sistema A-levels, o professor prevê: “este aluno obterá AAA”. Com base nisso, a universidade decide se fará uma oferta condicional.
O problema é que no Brasil não há uma tradição formal de predicted grades. O ENEM (equivalente ao nosso ENEM, mas com estrutura diferente) é realizado em maio, e a candidatura UCAS é enviada em outubro ou janeiro – seis meses antes. Sua escola, portanto, precisa estimar suas futuras notas no exame do ensino médio e expressá-las em porcentagens.
Na prática, funciona assim: o professor avalia suas conquistas até o momento (notas em disciplinas avançadas, resultados de simulados, olimpíadas) e faz uma previsão – por exemplo, “prevemos 90%+ em matemática avançada, 88%+ em física avançada, 85%+ em inglês”. Essas previsões são enviadas ao UCAS na carta de recomendação.
ENEM – equivalências UCAS
Como as universidades britânicas convertem as notas do ENEM para o sistema A-level
| Nota do exame de conclusão do ensino médio (avançado) | Equivalente A-level (orientativo) | Universidades / cursos típicos | Competitividade |
|---|---|---|---|
| 90–100% | A* | Oxford, Cambridge, Imperial (cursos com A*A*A) | Muito exigente |
| 80–89% | A | UCL, LSE, Edinburgh, Warwick (cursos com AAA) | Exigente |
| 70–79% | B | Bristol, Leeds, Manchester (cursos com ABB/BBB) | Moderadamente exigente |
| 60–69% | C | Universidades com requisitos BCC/CCC | Acessível |
| 50–59% | D | Número limitado de programas | Acessível |
Atenção: As conversões são orientativas – cada universidade tem sua própria política. Sempre verifique a página de "Entry requirements" da universidade. As universidades geralmente exigem um mínimo de 3 disciplinas de nível avançado. Fonte: UCAS International Qualifications, páginas de admissão das universidades do Reino Unido.
Dica crucial: nunca superestime suas predicted grades. Se sua previsão for 92% em matemática e você tirar 78%, sua oferta condicional será perdida. É melhor ter uma previsão realista e cumprir as condições do que uma previsão superestimada e ficar sem nada em agosto. Você pode ler mais sobre a conversão do ENEM para sistemas estrangeiros em nosso guia sobre o ENEM.
Testes de admissão – UCAT, ESAT, MAT, TMUA, LNAT e outros
Se você almeja universidades de ponta ou cursos de medicina, o formulário UCAS por si só não é suficiente. Muitos programas exigem admissions tests – exames realizados antes ou logo após o envio da candidatura, que permitem às universidades comparar candidatos no mesmo nível, independentemente do sistema educacional.
Isso é particularmente importante para candidatos brasileiros: o ENEM (ou o ENEM, no caso do Brasil) é menos conhecido pelas comissões de admissão britânicas do que os A-levels ou o IB. Um bom resultado em um teste de admissão é sua maneira de provar que você está no mesmo nível (ou superior) que os candidatos do sistema britânico.
Testes de admissão para universidades no Reino Unido
Visão geral dos principais admissions tests – o que, para quem, quando
| Exame | Cursos | Universidades | Prazo | Formato | Custo |
|---|---|---|---|---|---|
| UCAT | Medicina, odontologia | Oxford, mais de 40 universidades do Reino Unido | Julho – Setembro | Computadorizado: raciocínio verbal, quantitativo, abstrato, julgamento situacional | ~£75 (Reino Unido), ~£120 (internacional) |
| ESAT | Engenharia, ciências naturais, veterinária | Cambridge, Imperial | Outubro | Matemática + ciências exatas (biologia, química, física) | Gratuito |
| MAT | Matemática, Ciência da Computação | Oxford, Imperial, Warwick | Outubro/Novembro | Matemática avançada – problemas, provas, raciocínio | Gratuito (via centro) |
| TMUA | Matemática, Ciência da Computação, economia | Cambridge, LSE, Durham, Warwick e outras | Outubro | Raciocínio matemático + lógico | Gratuito |
| LNAT | Direito (Law) | Oxford, UCL, LSE, King's, Bristol e outras | Setembro – Janeiro | Raciocínio verbal (MCQ) + redação argumentativa | ~£55 (Reino Unido), ~£80 (internacional) |
| STEP | Matemática (condição de oferta) | Cambridge, Warwick (condição de oferta condicional) | Junho (após envio do UCAS) | Matemática – problemas difíceis de prova, 3h | ~£70 |
Fonte: UCAS, Cambridge Assessment, Pearson VUE, sites oficiais dos exames. Custos e prazos para o ciclo 2025/2026 – verifique os dados atuais antes de se registrar.
Conselho crucial: comece a preparação pelo menos 6 meses antes do exame. Provas anteriores (past papers) para MAT, ESAT e TMUA estão disponíveis gratuitamente nos sites da Cambridge Assessment e de Oxford. Para o UCAT, existem plataformas de prática dedicadas. Não subestime esses exames – eles são o principal filtro seletivo, com base no qual as universidades decidem quem convidar para a entrevista.
Se você estiver se preparando simultaneamente para exames de proficiência em inglês, comece com IELTS/TOEFL com prepclass.io – isso permitirá que você resolva essa etapa mais cedo e tenha tempo para se concentrar nos testes de admissão. Você pode ler sobre a escolha entre TOEFL e IELTS em nossa comparação TOEFL vs IELTS.
Entrevistas – como se preparar para a conversa de admissão
Nem toda universidade realiza entrevistas – mas aquelas que o fazem as levam muito a sério. Em Oxford e Cambridge, a entrevista é um elemento crucial do processo. Em cursos de medicina – é uma prática padrão, independentemente da universidade. Em outras universidades – cada vez mais comum, embora não em todos os lugares.
O que é uma entrevista no contexto de Oxbridge
Não é uma entrevista de emprego típica, no estilo “quais são seus pontos fortes?”. A entrevista em Oxford e Cambridge é uma discussão acadêmica – uma simulação de tutoria/supervisão. O tutor lhe dá um problema que você nunca viu antes e observa como você trabalha com ele. Não se trata de ter a resposta pronta. Trata-se do processo de pensamento: como você divide o problema em partes, como reage às dicas, como lida com o desconhecido.
Exemplo: um candidato a Economia pode receber um gráfico que nunca viu e a pergunta “o que acontecerá com o preço se mudarmos esta variável?”. Um candidato a Direito pode receber um cenário ético e a pergunta “isso deveria ser ilegal?”. Um candidato a Matemática pode receber um teorema para provar no quadro.
Como se preparar
- Pense em voz alta (think aloud) – o melhor conselho que posso te dar. O silêncio é seu inimigo. Mesmo que você não saiba a resposta, mostre como você chega a ela.
- Reaja às dicas – o tutor vai te ajudar. Não é uma armadilha. Mostre que você sabe aceitar feedback e construir sobre ele.
- Não tenha medo de errar – erros são aceitáveis se você conseguir aprender com eles durante a conversa.
- Pratique com outra pessoa – peça a um professor para lhe dar problemas desconhecidos e conduzir uma simulação de entrevista (mock interview). O College Council oferece treinamento profissional para entrevistas com consultores que passaram por esse processo.
- Resolva perguntas de entrevistas anteriores (past interview questions) – Oxford e Cambridge publicam exemplos de perguntas em seus sites. Resolva o máximo que puder.
Para candidatos internacionais – incluindo do Brasil – as entrevistas geralmente ocorrem online, o que elimina a necessidade de viajar para o Reino Unido em dezembro. O formato é idêntico ao da entrevista presencial.
Ofertas – condicional vs incondicional, Firm vs Insurance
Após passar por todas as etapas – UCAS, personal statement, testes de admissão, entrevistas – as ofertas (offers) começam a chegar. No UCAS Track, você verá um dos quatro status possíveis:
- Oferta condicional (Conditional offer) – o tipo mais comum. A universidade te quer, mas com a condição de que você cumpra requisitos específicos (por exemplo, “90% no ENEM em matemática avançada, 85% em física, IELTS 7.0”). Se você cumprir – a vaga é sua. Se não – a oferta é perdida.
- Oferta incondicional (Unconditional offer) – uma raridade. A universidade te quer sem condições. Acontece se você já tiver os resultados dos exames (por exemplo, IB concluído um ano antes). Com o ENEM – provavelmente será condicional.
- Rejeição (Rejection) – a universidade não fez uma oferta. Não há recurso.
- Falta de resposta após o prazo – tratado como rejeição.
Firm e Insurance – estratégia de resposta
Quando você receber todas as respostas (ou o prazo final expirar), você deve tomar uma decisão. Das ofertas que você recebeu, você escolhe:
- Firm Choice – sua primeira escolha. A universidade para a qual você mais deseja ir.
- Insurance Choice – seu plano B. Uma universidade com requisitos mais baixos do que a Firm, caso você não cumpra as condições da oferta condicional da Firm.
- Todas as outras ofertas você rejeita.
Um erro clássico de candidatos brasileiros: escolher uma Insurance com os mesmos requisitos ou requisitos mais altos que a Firm. Isso não faz sentido. A Insurance deve ser sua rede de segurança – se você não tirar 90% no exame de conclusão do ensino médio, mas tirar 80%, uma Insurance de 80% salvará seu ano.
Results Day e o que vem depois
O Results Day é o dia em que os resultados dos exames finais (A-levels, IB) são publicados e o UCAS verifica automaticamente se você cumpriu as condições de suas ofertas. Para estudantes com A-levels, isso ocorre em meados de agosto. Para candidatos brasileiros – os resultados do ENEM (ou ENEM) são divulgados no início de julho, mas o UCAS e as universidades os processam dentro do cronograma geral.
Cenários para o Results Day:
- Você cumpriu as condições da Firm – parabéns, sua vaga está confirmada. O UCAS Track mostrará “Unconditional Firm”.
- Você não cumpriu as condições da Firm, mas cumpriu as da Insurance – você é automaticamente atribuído à sua Insurance Choice.
- Você não cumpriu nenhuma das condições – você entra no Clearing.
Clearing – a última chance, não o fim do mundo
Clearing é um sistema em que universidades com vagas abertas as oferecem a candidatos que não foram aceitos em suas escolhas iniciais. Ao contrário do que você pode pensar, o Clearing não é uma admissão de fracasso. Milhares de estudantes todos os anos encontram excelentes programas através do Clearing – inclusive em universidades renomadas que tiveram uma demanda menor do que o esperado.
Como funciona o Clearing:
- Vagas abertas aparecem em tempo real no site do UCAS.
- Você liga diretamente para a universidade (sim – literalmente liga) e conversa com um oficial de admissões.
- Se a universidade quiser te aceitar, ela te adiciona ao sistema.
- Você confirma via UCAS Track.
O Clearing funciona rapidamente – vagas em cursos populares desaparecem em questão de horas. Esteja preparado: tenha em mãos seus resultados, o número UCAS e a lista de universidades que te interessam.
Custos de estudo no Reino Unido – o que você precisa saber como estudante internacional
Após o Brexit, estudantes brasileiros são tratados como estudantes internacionais (international/overseas). Isso significa anuidades mais altas do que para estudantes do Reino Unido (que pagam no máximo £9.250 anualmente) e falta de acesso ao Student Finance England. As anuidades para estudantes internacionais variam de £15.000 a £45.000 anualmente, dependendo da universidade e do curso.
Custos anuais de estudo no Reino Unido para brasileiros
Estimativa orientativa – universidade na Inglaterra, curso de humanas/STEM (2026/2027)
Fonte: UCAS, sites oficiais das universidades do Reino Unido, UKCISA. 1 GBP ≈ 6,5 BRL (estimativa para 2026/2027). Custos orientativos – verifique os dados da universidade específica.
Bolsas de estudo e financiamento
Embora os custos sejam altos, existem opções reais de financiamento:
- Bolsas de estudo universitárias (scholarships & bursaries) – muitas universidades oferecem bolsas para estudantes internacionais. Procure nas páginas “Scholarships” ou “Funding for international students” de cada universidade da sua lista.
- Reach Oxford Scholarship – cobertura total da anuidade, custos de vida e passagem aérea. Extremamente competitiva, mas se você tem resultados excelentes – vale a pena se candidatar. Mais em nosso guia sobre Oxford.
- Chevening Scholarship – prestigiada bolsa do governo britânico, mas para estudos de pós-graduação, não de graduação.
- Programas nacionais – como os de fomento à pesquisa e intercâmbio, e programas locais – às vezes oferecem apoio.
- Trabalho com visto de estudante – até 20 horas semanais durante o semestre e tempo integral nas férias.
Visto de Estudante (Student Visa)
Após cumprir as condições da oferta, a universidade lhe enviará o CAS (Confirmation of Acceptance for Studies) – um documento essencial para a solicitação do Student Visa. A taxa do visto é de £490, mais a IHS (£776/ano). Você deve comprovar que possui fundos para a anuidade do primeiro ano, mais £1.334 mensais para despesas de vida (por 9 meses = £12.006).
Como o College Council pode te ajudar
O processo UCAS pode ser feito sozinho – mas ter alguém que conhece o sistema por dentro economiza tempo, nervos e minimiza o risco de erros caros. No College Council, ajudamos candidatos brasileiros a estudar no Reino Unido há anos, e sabemos quais armadilhas esperam um estudante do ensino médio brasileiro com o ENEM (ou ENEM).
Nossa oferta inclui:
- Consultoria estratégica – ajudaremos você a escolher suas 5 opções UCAS de uma forma que maximize suas chances, mantendo suas ambições. Conversaremos sobre seu perfil, resultados, interesses e encontraremos as universidades para as quais realmente vale a pena se candidatar.
- Revisão do personal statement – analisaremos seu texto linha por linha. Não o escrevemos por você – mas garantiremos que sua história seja contada de uma forma que funcione para as comissões de admissão britânicas.
- Simulações de entrevistas (mock interviews) – para candidatos a Oxbridge e cursos de medicina. Simulamos entrevistas reais com perguntas adaptadas ao seu curso.
- Ajuda com predicted grades e carta de recomendação – explicaremos ao seu professor o que o UCAS espera e ajudaremos a preparar uma carta de recomendação que não parecerá um atestado com carimbo.
Se você quiser saber mais, entre em contato conosco ou confira nossa oferta de preparação para candidaturas no Reino Unido.
Checklist UCAS – antes de clicar em "Submit"
Certifique-se de que tudo está preparado
Fonte: UCAS Application Checklist, College Council
Resumo – UCAS passo a passo
Candidatar-se a universidades no Reino Unido através do UCAS é um processo que exige planejamento, disciplina e estratégia – mas não é impossível. Milhares de estudantes brasileiros fazem isso com sucesso todos os anos. A chave é:
- Comece cedo – 12 a 18 meses antes do prazo final. Não deixe nada para a última hora.
- Escolha um curso e dedique-se totalmente – o personal statement deve se concentrar em uma única área. Não tente ser tudo para todos.
- Predicted grades realistas – é melhor conseguir uma oferta que você possa cumprir do que uma oferta que será perdida em agosto.
- Personal statement = paixão acadêmica – 80% sobre o curso, leituras e reflexões concretas, zero generalizações.
- Prepare-se para os testes de admissão – esta é sua chance de se igualar aos candidatos com A-levels e IB.
- Firm + Insurance = estratégia – a Insurance deve ter requisitos mais baixos que a Firm.
- Não entre em pânico se algo não sair como planejado – existe o UCAS Extra, existe o Clearing, existem segundas chances.
Se precisar de apoio em qualquer etapa, entre em contato com o College Council. Ajudamos candidatos brasileiros a passar pelo UCAS de A a Z – da estratégia às simulações de entrevistas.
Leia também
- Estudar no Reino Unido – guia completo
- Estudar na Oxford University – guia para brasileiros
- Estudar na Cambridge University – guia para brasileiros
- Estudar na Imperial College London – guia
- Estudar na UCL – guia
- Estudar na LSE – guia
- ENEM e estudos no exterior – conversão de resultados
- TOEFL vs IELTS – qual certificado escolher?